Amanheceu, Como tão livre sonho Estende-se até agora? Foi-se então Como já fora E como já voltara É realista o fim surreal Fecho as janelas Fortes e corajosas Ultrajam a luz do sol E não deixam refletir O fim nem o começo É provocante É indecente É apenas outra vez...
texto: Márcio Jorge
ilustração: Joan Miró
7 de out. de 2008
AÇOITE
Cândido Portinari
A noite extravasa o meu verso, A ira trafega em veias suntuosas.
A palavra invade o meu silêncio E os capilares ordenham o sangue Em cada esquina que se ouve as baionetas Ou serão meros torpedos? Quem apostará?
O açoite não veio da noite Mas de um dia claro Por demais claro...