25 de jun de 2017

QUATRO CANTOS

Georges Braque


 Pensar
o que quiser
Dizer
o que quiser
Salvar
o que quiser
Comer
o que quiser
Beber
o que quiser
Cantar
o que quiser
Dançar
o que quiser
Amar
o que quiser
Levar
o que quiser
Varrer
o que quiser
Rezar
o que quiser
Sonhar
o que quiser
Viver
o que quiser
 Morrer
  quando puder.

24 de jun de 2017

NAVEGANDO

Odilon Redon
















Por que te navego
Neste oceano de claridades,
Se agora fujo dos temporais?
Esta onda que bate forte
Leva-nos em cada tempo que foi belo
Trovoadas de certo existiram
Mas o cais que se formou
Trouxe festa de chegada
E o exausto navegador,
Cansado de tanta água romper,
Foi acalentado pelo balanço
Do teu corpo abrigo
Que fez a lembrança navegar
Na saudade de um porto tranquilo.                                                                 

24 de abr de 2017

EPIFANIA

foto arte: Márcio Jorge

















Aqui se perdeu alguém
Sei lá quem
Não percebi pegadas no chão
Nem vozes sussurrando no escuro
Além de mim                 
Senti aquele ar rarefeito
Como se ali estivesse
Mais alguém consumindo o oxigênio,
o silêncio do espaço compartilhado,
a fuga para o infinito
                 e suas revelações.
 

23 de abr de 2017

QUEM QUASE SOU???

Paul Klee


Não
sou
tudo
que
abrigo
nem
tudo
que
passa
por
mim
mas
agora
preciso
do
que
sou
para
lembrar
do
que
ainda
de
vir.


1 de abr de 2017

XIS

José Gurvich
  
Casa aberta
Reformada
Sem paredes
Nem armadilhas

Peça chave
Mente difusa
 Ponto de partida
Estrada de terra
  Placas de aviso   
Mapa de labirinto

Por um triz
Fez-se o xis do alvo
Na beira do precipício
Voo sem asa
Tempestade
Em copo d’água

E a palavra exilada
No intimo falece
De fora
Passa um rio
Eu, aqui
    Em movimento...

8 de fev de 2017

ENTRE O SILÊNCIO DAS ESTRELAS

Oswaldo Guayasamin












Venho devagar
Descendo entre tantos rumores
A rampa dos meus delírios
Da água clara, fácil de sentir o frescor
Forma-se este corpo abrasivo
De pele, osso e combustível.  

Sobre a fonte de onde renasço
Vejo a pedra esculpida pelo vento
A aurora da canção solar
No pouso de um coração incandescente
E lá, entre o silêncio das estrelas
Surge um astro recriado, a poesia.