15 de out. de 2017

CASA

foto arte: Márcio Jorge

















Entra
Senta
Mora

Sai
Anda
Voa

Sempre
Aqui
Volta

Entra
Senta
Mora

Se
aconchega.


2 de out. de 2017

DIVERSAMENTE

Alfonso Ferro
















Gente daqui
Dali
Do lado de lá
De qualquer lugar.

Gente que sacoleja
Vive na brasa
Sobe na rede
Ou simplesmente extravasa.

Gente que sempre acorda
Segue no trilho,
Dorme no ponto,
Se demora...

Gente pra recitar,
Cantar a bossa,
Perder a hora,
Refestelar!

Gente que é gente
É cor de mistura,
É taba, casa, oca, templo,
amor, criatura...   

Gente da pá virada,
Do aconchego,
Da boca malvada,
Dos olhos de enfeitiçar.

Gente é tudo assim,
Por que cercar de si?     
É pipa, carro, barco,
pouso, voo, nado.

Gente que é gente
É telha, pedra, chão,
gota de oceano, flor de jardim,
cardume, estopim!

19 de ago. de 2017












A 11ª edição do IC - Encontro Internacional de Artes acontece em Salvador - BA de 19 a 27 de agosto, com diversas atrações gratuitas e classificação livre.  O projeto ocorre em três espaços principais, além de invadir as ruas do centro da cidade, chega também ao Palacete das Artes, Goethe-Institut (ICBA) e Âncora do Marujo.



Apostando na temática da interatividade, o festival apresenta uma miscelânea de manifestações audiovisuais com recitais performáticos, pinturas coletivas, exposições artísticas e shows musicais, tudo para estimular a relação direta entre o artista e o público. A reunião de propostas multiculturais transformará Salvador na capital da arte nesse mês de agosto.




O cantor, compositor e poeta Arnaldo Antunes fará o show de abertura do encontro neste sábado (19/08) às 20:00h no Goethe-Institut, uma das poucas atrações pagas do evento. Confira a programação completa no site oficial: http://www.icencontrodeartes.com.br/ic11/






3 de ago. de 2017

  VEROSSÍMEL

Wassily Kandinsky

















O que é belo e fugaz
Marca como ferro quente
Não importa o tempo
Só um minuto basta
Se for um segundo também
Se precisar de uma hora
Amém!
Qualquer coisa
Que se mova por dentro
Vale o nó na garganta,
A folha no corpo do inseto,          
A nesga de sol na nuvem cinzenta,
O furo certo no horizonte
Para se vê além
Da planície e da colina
Onde se mereça estar
Como a lua, a pedra e o mar
Mais do que se perceba,
Qualquer coisa
Que se mova por dentro.

1 de ago. de 2017

AGOSTO

Joan Miró













Amanhece o dia
Sol de agosto                    
Quem diria?


25 de jun. de 2017

QUATRO CANTOS

Georges Braque


 Pensar
o que quiser
Dizer
o que quiser
Salvar
o que quiser
Comer
o que quiser
Beber
o que quiser
Cantar
o que quiser
Dançar
o que quiser
Amar
o que quiser
Levar
o que quiser
Varrer
o que quiser
Rezar
o que quiser
Sonhar
o que quiser
Viver
o que quiser
 Morrer
  quando puder.

24 de jun. de 2017

NAVEGANDO

Odilon Redon
















Por que te navego
Neste oceano de claridades,
Se agora fujo dos temporais?
Esta onda que bate forte
Leva-nos em cada tempo que foi belo
Trovoadas de certo existiram
Mas o cais que se formou
Trouxe festa de chegada
E o exausto navegador,
Cansado de tanta água romper,
Foi acalentado pelo balanço
Do teu corpo abrigo
Que fez a lembrança navegar
Na saudade de um porto tranquilo.                                                                 

24 de abr. de 2017

EPIFANIA

foto arte: Márcio Jorge

















Aqui se perdeu alguém
Sei lá quem
Não percebi pegadas no chão
Nem vozes sussurrando no escuro
Além de mim                 
Senti aquele ar rarefeito
Como se ali estivesse
Mais alguém consumindo o oxigênio,
o silêncio do espaço compartilhado,
a fuga para o infinito
                 e suas revelações.
 

23 de abr. de 2017

QUEM QUASE SOU???

Paul Klee


Não
sou
tudo
que
abrigo
nem
tudo
que
passa
por
mim
mas
agora
preciso
do
que
sou
para
lembrar
do
que
ainda
de
vir.


1 de abr. de 2017

XIS

José Gurvich
  
Casa aberta
Reformada
Sem paredes
Nem armadilhas

Peça chave
Mente difusa
 Ponto de partida
Estrada de terra
  Placas de aviso   
Mapa de labirinto

Por um triz
Fez-se o xis do alvo
Na beira do precipício
Voo sem asa
Tempestade
Em copo d’água

E a palavra exilada
No intimo falece
De fora
Passa um rio
Eu, aqui
    Em movimento...