26 de out. de 2010
15 de ago. de 2010
Era década de 60 e o povo brasileiro vivia o clima hostil da ditadura militar, que em muitas vezes, limitou com truculência as produções culturais no Brasil. Foi nesse instante de luta ideológica e efervescência política que o país conheceu o auge da era dos festivais de música e apresentou alguns dos artistas considerados de fundamental importância para a formação da Música Popular Brasileira.
Parque", interpretada por Gilberto Gil e com a participação especialíssima do grupo Os Mutantes. Chico Buarque de Hollanda foi acompanhado pelos músicos do MPB 4 na interpretação da música "Roda Viva", que conquistou o terceiro lugar. Caetano Veloso cantando "Alegria, Alegria" provocou vaias do público, mas antes do final de sua apresentação, o baiano reverteu a situação desfavorável, conseguindo a quarta colocação da noite e o reconhecimento efusivo da platéia. Roberto Carlos também participou da festa e chegou ao quinto lugar com o samba "Maria, Carnaval e Cinzas". Naquele ambiente de muita competição, o drama maior foi vivido pelo cantor Sérgio Ricardo que marcou o seu destino no festival ao destruir o violão e atirá-lo ao público depois de ser insistentemente vaiado pela canção "Beto Bom de Bola".
imentos inéditos dos intérpretes e de algumas testemunhas importantes como o jornalista Sérgio Cabral (um dos jurados) e os produtores culturais Solano Ribeiro, Zuza Homem de Melo e Nélson Mota. Aquele momento inesquecível para o cenário musical brasileiro proporcionou uma verdadeira revolução cultural no final dos anos 60, que se propagou com o fortalecimento da MPB, o surgimento da Tropicália, as inclusões da música pop internacional e a explosão das diversas manifestações artísticas regionais. Assistir "Uma Noite em 67" é uma bela recordação para quem viveu aqueles momentos inestimáveis e um aprendizado valioso para as novas gerações, pois mais do que um registro musical, trata-se de uma viagem histórica, ideológica, social e política de uma época de grande relevância para o nosso país. Ficha Técnica

13 de jul. de 2010
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| Paul Klee |
AFINIDADES
Dentro de cada louco humano tolo
Habita não somente um âmago
Transparecido pela retina ofuscante
De um olhar
Há no disparar de cada coração
Um céu nublado,
Uma ponte entre a luz do querer
E o desbotar do adormecido sonho.
Dentro de cada louco humano tolo
Lembraças de ontem
Em caminhos percorridos com ternura,
Laçados pela neblina que envolve
Afinidades tantas!
Entre loucos transeuntes
Na solidão de mais um dia
Entre cegos humanos
(não reconhecem o espelho partido)
E entre tolos inocentes
que de perto vivem.
29 de mai. de 2010
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| Camille Pissaro |
3 de mai. de 2010
| foto: Márcio Jorge |
Quero estar
No imaginável limite
Entre o céu e o mar,
Tragando o mistério
E o costume de segui-lo.
Quero sentir
De cada verso escrito
Um devasso mundo contido,
Atravessando o avesso do verso
Em rimas sólidas, sem disfarce!
Enquanto confesso,
Viajo calmamente em cidades caóticas
De fendas profundas e deuses eternos.
Quero querer
De vez em quando o acaso
Abusar do gozo insano
Em plena tarde de outono
Ou em plena tarde qualquer.
É preciso reinventar o sorriso
E comemorar a madrugada vazia
Como são aqueles
Que fazem do seu dia
A promessa de ontem.
Quero colher
Os pedaços que me faltam
Absorvendo o puro reflexo
Mesmo que pareça complexo
Tragar o próprio mistério.
É preciso continuar querendo
Flores de todos os jardins
Espatifando os imundos espinhos
Esses daninhos,
Fel do clã
que se compôs.
29 de mar. de 2010
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| Maurice de Vlaminck |
PASSOS NA CONTRAMÃO
... E de leve perdi o riso
Beijei a flor
Ao sentir a brisa
Afinal,
De quem será a brisa?
Tal como a nascente
Parte a sombra de quem não mais existe.
O tempo e o homem
Comovem,
Suas queixas desvalidas
São tão novas quanto à bruta pedra polida.
Dentro da gruta infinita
Escondo esta alma de bardo
Ou apenas um semblante estarrecido,
Ingênuo
E por que não alegre dizer?
Sério brinquedo
Acima de um abismo.
9 de mar. de 2010
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| André Derain |
VÍCIO DI VERSOS
25 de jan. de 2010
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| Piet Mondrian |
NOSTALGIA VERDE
Bela como era
Não mais transita
Onde habita
Asas abertas,
Coloridas,
Expostas
E tantas vezes despidas
Fechadas na liberdade roubada
Pelo rústico instinto
Que penetra,
Tritura,
Afoga...
Lágrimas escorridas
Sangue na seiva
Nos velhos troncos
Velhas testemunhas...
Das queimadas,
Só se for a folha seca
Esturricada,
Atirada ao solo ardente
Seca,
Pelo sol seco.
Das caçadas,
Só se for a natural seleção
Naturalmente pura,
Discreta parte do reino ferido
Mendigando socorro,
Rastejando pelo que resta.
E o verde virou nostalgia
Como se fosse dezembro
Último dia,
Último sonho,
Fim de festa.
30 de dez. de 2009
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| Angeli |
FECHADO PARA BALANÇO!
9 de nov. de 2009
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| foto: Márcio Jorge |
Queria sua vida
Por quase uma eternidade
Não fingi,
O que o filme revelara
Por quase todo tempo.
Queria uma história inacabada
De amor profundo
Sublime desabrochar de rosa
Em coragem ilimitada
Ao doar-se por completo
Equívoco passageiro
Certeza quase perfeita,
Quase sem culpa.
Este trabalho foi publicado também no blog da exposição "Cuide de Você" da artista plástica francesa Sophie Calle. (blog.sophiecalle.com.br)
2 de nov. de 2009
Van Gogh
ELO
Em vaga manhã toada,
A vista nua redescobre
O azul do céu de estrela única,
Brilhando comovente
No desejo da carícia plena.
Talhar a forma perfeita
Faz palpitar o menino,
Aflito,
Pela delicada ponta de estrela
Nos seus braços franzinos,
A pedir um afago suave
Envolto em rosa
Em canto que ecoa distante
No orgasmo da noite bela.
Alteiam os espasmos de êxtase
E as minguas de ciúme atropelam o menino
Displicente sobre a areia fina,
Adormece repleto
No seio ímpar.
Espuma morna do corpo infinito
Braços do mar a trazer o destino
Em verso, em prosa, em canção
No risco da débil tormenta
Sem sepultar o coração.
Abre-se a ternura
Em pétalas túrgidas
Soltas pelo ar de paixão
Profundo extravio,
Entornando o orvalho atrevido
Aonde caminha o amante menino
Sob o lampejo da estrela única.
13 de out. de 2009
Georges RouaultPONTO FINAL
Aqui o vento não guia
O sopro não arrepia
O santo padece.
Aqui o verso não rima
O banjo não toca
O cárcere cativa.
Aqui o beijo não é na boca
A língua não lambe
O mosquito agradece.
Aqui não há vagas,
Não há luas,
Não é o começo de nada.
Aqui o verbo não auxilia
A sílaba é única,
A palavra atrofia.








