ONDE ESTOU?
Olho-me
aqui dentro
como folhas
debruçadas
na pele áspera
do chão
Ser fervura
onde o frio congela
a mente
e o vento ameniza
o coração
Onde estou?
olho-me
e já não me vejo
aqui
SENTENÇA
Espero-te
até quando
for possível
contar o tempo
Espero-te
até a saudade
virar cinzas
até a palavra
desmontar o refúgio
e o poema
não se deitar
ao meu lado
Espero-te
no lugar
que regressas
para matar
tua sede
e respirar
o puro ar
que te entrego
Espero-te
onde o amor seja
a sentença
e você, a condenada
VARANDA
Um sorriso de rio
desmontou em água,
uma nuvem
O sossego de mata
revelou o abrigo
das pedras
O profundo
em mim renasce
nas cores
da natureza infinita
Faz substância de crescer
raiz
casco
folha
asa
de joaninha
Há luz de iluminar
colina
poça
ribanceira
passo de inseto
Faz nascer cheiro
de primavera
Uma rosa
na varanda do mundo