A MARGEM DO SOL
No espelho
Destes olhos
Que se iluminam
A cada lembrança tua
Apareceste assim
Acariciando a margem do sol
Que aprisionaste
Com tuas próprias mãos
VARANDA
Um sorriso de rio
desmontou em água,
uma nuvem
O sossego de mata
revelou o abrigo
das pedras
O profundo
em mim renasce
nas cores
da natureza infinita
Faz substância de crescer
raiz
casco
folha
asa
de joaninha
Há luz de iluminar
colina
poça
ribanceira
passo de inseto
Faz nascer cheiro
de primavera
Uma rosa
na varanda do mundo
A SOLIDÃO NÃO ESTÁ SÓ
Inspirado na leitura do poema “Quarto Só” de
Alejandra Pizarnik
Demora
o que te consome
nesse quarto só
Tua fome
de mastigar ausências
transforma fissura
em janela de contemplação
Rompe as paredes
desse quarto
Surpreenda
a presença que deseja
Surpreenda
a presença que te espera