23 de abr. de 2017

QUEM QUASE SOU???

Paul Klee


Não
sou
tudo
que
abrigo
nem
tudo
que
passa
por
mim
mas
agora
preciso
do
que
sou
para
lembrar
do
que
ainda
de
vir.


1 de abr. de 2017

XIS

José Gurvich
  
Casa aberta
Reformada
Sem paredes
Nem armadilhas

Peça chave
Mente difusa
 Ponto de partida
Estrada de terra
  Placas de aviso   
Mapa de labirinto

Por um triz
Fez-se o xis do alvo
Na beira do precipício
Voo sem asa
Tempestade
Em copo d’água

E a palavra exilada
No intimo falece
De fora
Passa um rio
Eu, aqui
    Em movimento...

8 de fev. de 2017

ENTRE O SILÊNCIO DAS ESTRELAS

Oswaldo Guayasamin












Venho devagar
Descendo entre tantos rumores
A rampa dos meus delírios
Da água clara, fácil de sentir o frescor
Forma-se este corpo abrasivo
De pele, osso e combustível.  

Sobre a fonte de onde renasço
Vejo a pedra esculpida pelo vento
A aurora da canção solar
No pouso de um coração incandescente
E lá, entre o silêncio das estrelas
Surge um astro recriado, a poesia.


9 de dez. de 2016

                                                 DIREÇÃO

Raoul Dufy


Amo
Te
Tanto
Que
Não
Te
Vi
Sair
De
 Mim.

Amo
Te
Tanto
Que
Não
Te
Vi
Sair
De
Si.

 

8 de dez. de 2016

ESCONDERIJO

Piet Mondrian
















A bolha protege
  do impacto castigo
Alçado
  no topo da topada,
Esconde o bocejo
  do cansaço
      e do tropeço. 
 

20 de nov. de 2016

POEMA DO COTIDIANO

foto arte: Márcio Jorge
















São 6 horas da manhã

Restos de sonhos permanecem acesos

E você aí sorrindo

Da minha cara atordoada

Por pensar que já terei de levantar outra vez

Hoje não há trabalho, nem corrida matinal,

Nem viagem que precise de tal sacrifício

Hoje só o nada a fazer me espera,

Só o vazio do pensamento fugaz,

Só a missão de encontrar descaminhos,

De amanhecer repleto

Das bagatelas de um poeta

 

São 6 horas da manhã

Não quero que as incertezas do medo

Atrapalhem os anseios que tenho

De ganhar o dia cheio de “nadas”  

Que meus ouvidos não escutem as tormentas

E que o som da minha voz seja recompensado

Com um belo sorriso de cristal

O silêncio agora se compõe

Como quero que seja daqui por diante

Ou pelo menos nas próximas horas     

Não, talvez permita que uma canção desponte

E traga a paz das reminiscências                

Que chegará para construir o momento

Ou quem sabe o conforto dos arvoredos.

 

São 6 horas da manhã

Brinco com a preguiça de viver

De não ter planos para o futuro imediato,

Mas de ter você ainda aqui  

Mergulho naquele poço profundo de luz

Que emerge dos sussurros do livro de poemas

Sim, aquele que ainda não terminei de ler

Para não desfazer a sinergia

Preocupação descabida nesta liberdade tamanha

Outros virão como sempre

Para me resgatar do inconcebível mundo real

Por que não falar das fugas?

 

São 6 horas da manhã

Do dia seguinte aquele que elegi como favorito

Não tenho mais você mirando meu sono

Nem sequer percebi quando levantou

O cheiro do café já vem de longe...

Se desejo prorrogar o minuto

Nem poderei sonhar novamente

Está na hora de voltar.         

 

 

12 de nov. de 2016

FECHADO, O SINAL!

foto arte: Márcio Jorge

















Parado está,
Estamos
Então, vejamos
Se parado ficaremos
Ou simplesmente
Esperamos             
Abrir o sinal 
Vermelho
Será?

É vero!
Parado está,
Estamos
Até a onda chegar,
Até o fogo queimar,
Até a parede ruir.

É o fim da picada!