22 de jun. de 2015

LA MISIÓN

foto arte: Márcio Jorge















Atravesar el puente
Bajar sin prisa del monte
Volar sin peso en las alas.

Ir y volver
Cuando quedarse solo
En cualquier lugar.

Tener en la mano la simiente
Y plantar en la vida
Todo lo que se siente. 

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(foto arte: Arco do Triunfo, Barcelona - Espanha) 

14 de jun. de 2015

NA PONTA DA LÍNGUA

foto arte: Márcio Jorge
Em novembro de 2014, perdemos o nosso poeta passarinho, que voou distante para encantar outros reinos. Talvez essa seja a definição perfeita para um dos mais criativos poetas da língua portuguesa. Manoel de Barros reconstruiu o sentido da poesia, transformando as insignificâncias em ponte obrigatória para o longo caminhar da reflexão. Inventor das palavras e dos sentimentos profundos, ele era capaz de flutuar na sua mais completa desafetação. Aqui mesmo neste espaço, publiquei um poema em homenagem ao grande escritor das águas, dos matos, das pedras, dos galhos, dos lagartos e das formiguinhas. Para expressar a minha enorme gratidão pela sua obra maravilhosa, o Eco das Nuvens compartilha novamente a  "Ínfima Ode ao Poeta Essencial".   Um beijo Manoel!!! 
  

ÍNFIMA ODE AO POETA ESSENCIAL 
                                          para Manoel de Barros
Mergulho profundo no raso do fundo
No  fundo, no fundo
As insignificâncias levantadas aqui,
Não estão no fundo.

O canto das cigarras está em algum lugar,
No raso?
No fundo?

A goiaba na beira do rio
Faz voar as mariposas,

O raio do sol nascente
Faz chegar os passarinhos,

A formiga no meio do tronco
Faz a paisagem completa,

A falta de assunto
Faz o poeta acordar de sua inexistência.

  Como é bom deitar na rede,
Suspirar de preguiça
Ser a grandeza da poesia ínfima
No fundo, no fundo
Abracemos o mundo!

                                                
                                                       "Palavras
                                          Gosto de brincar com elas
                                                 Tenho preguiça de ser sério."  
                      
                    

13 de jun. de 2015

MAIS DE CADA

Georges Rouault




















Mais de mim, o mínimo
Mais de ti, o máximo
Mais de mim, o toque
Mais de ti, o sorriso
Mais de mim, a fúria
Mais de ti, o brando
Mais de mim, o silêncio
Mais de ti, o canto.

5 de jun. de 2015

RELÍQUIA

foto arte: Márcio Jorge
















Como nevoeiro,
Lança sobre o olhar
Embaçamentos...

Entre (tantas) sensações recolhidas
Da memória
E do guardar de hoje
Esconde no ninho a relíquia
Quase esquecida
Mas sempre lá
Em terra afetuosa
Com portas para entrar.

3 de jun. de 2015

   DESALINHO

foto arte: Márcio Jorge




















Encanta-me o desalinho, 
A linha no caminho esparramada
Fugida do prumo
Entrelaçada na agulha que fura:
a pele, o tecido, a ilusão! 

Encanta-me o desalinho,
O amor visto na proa
Sem contraste
Entrelaçado na agulha que fura:
a boca, a face, o coração!


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(foto arte: Museu do Carnaval, Montevideo - Uruguai)