2 de mai. de 2015

FRAGMENTOS DE UMA NOITE CLARA

foto arte: Márcio Jorge
















O que nunca chegou assim
Na enxurrada de uma noite clara?
Talvez a lacuna forjada pela pedra de sal
Brevemente desmontada
Pelo pingo da saliva.

Do voo noturno,
Sem escala para suprir
Cacos de toda parte
E só as estrelas varrendo
O pó da noite clara.


24 de abr. de 2015

FOLHAS DE ABRIL

foto arte: Márcio Jorge















Pode ser que tenha medo, coragem, vontade
Ou tudo isso disfarçado de calma
Mesmo que falte um segundo
E o fiapo de sol queime o graveto
A linha do trilho perpassa o espaço nulo
Antes deixado pelas fartas folhas de abril
Que espalham enfim seus corpos
Entre tantas direções...

30 de dez. de 2014

DEZEMBRO

Paul Klee















Foi só pensar no caminho
Na correnteza que me traz de volta
Fez-se o silêncio solitário
Em cada sopro que abre as rosas.

Um corpo em desalinho
Sobre as águas que dobram as esquinas
Em ondas de íntimo temor
No conto final de dezembro.

Entre rochas e labaredas
Uma fronteira então aparece
E a ponta de estrela invisível perfura o peito
Ou quem sabe apenas uma palavra perdida,

Medo ou acalanto?


27 de fev. de 2014

PARA FALAR DO TEMPO
 
foto: Márcio Jorge









Versejo sobre o tempo
Toda angustia de não o ter em domínio completo 
Serão teus os meus passos?

Lembro de repente,
Do segundo que falta
Para beber a última gota de vinho
É agora!
É pra já!

Sem pausa, rumo para a última página
Mesmo que o pretérito seja imperfeito!

Versejo sobre o gesto de versejar
Sobre o tempo...

Aquele que se vê passar pela janela
É também o que compõe a canção
No conta-gotas dos dias,
Na espera da estação,
No lado de lá da fronteira,
Na morte e apogeu da paixão

Tempo, tempo, tempo!
Esparramado, perdido, achado, espremido,
mal cuidado, intrometido, pouco, inventado, dividido,
transformado, muito, interativo!

É possível que me leves assim?
Sem ao menos o teu plano de fuga conhecer?
Mas como diz um velho amigo irmão:
“Temos todo tempo do mundo” 
Será cara?
Acho que não!

                                                                                    poema dedicado a Uber Alves
                                                              (depois de um papo filosófico sobre o tempo)


26 de jun. de 2013

POR ONDE CAI A CHUVA?

Luísa Dalartesa
       












Hoje,
Já não bato mais
Em mim.

Vejo a chuva cair
Tranquila bate
Na vidraça
No rosto
No carro que passa.

Águas de céu
Que molham os versos
Encharcando a poesia de pirraça
Como se nada ali estivesse
Continua então a cair
Lavando o lodo
A crosta da esfera
E como lágrima de dor
Escorrega...

Por onde cai a chuva?
Hoje,
Já não bato mais
Em quase nada.


16 de nov. de 2012

SOBRE O MAR

Daniel Gargiulo















Vim aqui para saber das ondas,
Aquelas que destroem o silêncio
E beijam a areia sedutora logo na chegada
Sim, vim aqui para saber das conchas
Acomodar-me dentro do seu espaço abrigo
Assim como quem procura um pouso seguro
Aconchego é o que oferecem as conchas!
Vim aqui também para saber de mim
E de todas essas coisas que nos fazem pensar na existência
Convém dizer que me encanta o caminho das descobertas
Reitero o encontro com esse tanto de mar que me devora,
Sempre quando me parece pouco o ar
Ou quando começo a esquecer das pequeninas conchas  
(meu pouso seguro!)
Perdão amor,
Pelos meus olhos cheios de água, sal e cor!
Não foi apenas hoje
Você sabe que o mar é grande   
E tantas vezes já me levou
Não é mesmo?
Mas não carece de preocupar
Volto sempre aqui
Para novos transbordamentos...
Como não?
Volto sim menina,
Se quiser, pode esperar!

27 de mai. de 2012

Georges Rouault


ESGRIMA

Se estiver amarrado às fragilidades de ontem,
Como irei assim dizer?

Se estiver mergulhado nas agruras de hoje,
Como irei assim fazer?

Assim, como quem leva nas mãos uma flor
Abro-me para peleja!

Amanhã, flutuarão as palavras
Que tentarei roubar do vento.




7 de abr. de 2012

foto: Márcio Jorge



















 SACRAMENTO
   

“De delicadezas me construo”, dizia Hilda Hilst.
Quando cheguei, veio-me logo esse pensamento
Meus olhos atentos seguiram o farol
E a prata do rio que transbordava
Sobre todo o chão de pedra
Do alto, as luminárias imponentes 
Enfeitavam os muros de uma paisagem generosa.

Passando pelos estreitos caminhos de sol,
Tudo parecia tranquilo:
O ruído das casinhas antigas
O cão procurando alimento
O passo agitado do transeunte
O sorriso índigo da criança
A foto tirada com sofrimento
(Pois já era certo que nada iria congelar
aquela sensação de alma repleta). 

As horas foram avançando
E o crepúsculo se anunciava devagarinho...
No bater de asa
Chegara o instante de seguir
Ah, vida pouca!

Dulcíssima Colônia,
Onde a claridade do sonho acontece
E nada mais.


   (lembranças de Colônia do Sacramento)


26 de set. de 2011



De 11 a 16 de outubro de 2011, haverá muita literatura, música, alegria e prazer na primeira Festa Literária da Bahia. A encantadora cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano, será o palco para este grande evento que promete marcar o cenário cultural do estado, devido sua importância artística, econômica  e social. A Flica contará com a presença de autores nacionais e internacionais, como Fernando Morais, Hélio Pólvora, Ana Maria Gonçalves, Liv Sovik, Pedro Mexia e Bob Stein. As mesas de discussão serão realizadas nas dependências da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), principal parceira na realização da Flica 2011. A música também estará presente em todas as noites da festa, com diversas atrações, como a Orkestra Rumpilezz, Percussivo Mundo Novo e a cantora baiana  Clécia Queiroz.  Confira toda a programação no site oficial www.flica2011.com.br . Então, vai perder?
 

6 de set. de 2011


O vasto universo de possibilidades da arte cênica e as novas estéticas da expressão teatral estão presentes no 4º Festival Latino Americano de Teatro da Bahia. Durante o festival, o público poderá assistir espetáculos de países como:  México, Colômbia, Chile, Argentina, Uruguai e França. Confira a programação no site www.filte.com.br e bom divertimento!                                                                                                                

Cacerolas/ Grupo Tangolpeando/ Argentina

El Gallo/ Teatro de Ciertos Habitantes/ México
Preferiria, não? / Denise Stoklos/ Brasil

Fragmentos de Libertad/ Varasanta/ Colômbia